sábado, 27 de julho de 2013

Para sempre!

 
 
 
Este é um presente para a Zé que hoje partiu e deixará em todos os que a conheceram uma saudade funda! As flores porque era alegre e tinha uma força de que poucos suspeitavam. O poema porque representa tudo o que ela não queria que se repetisse, com o seu imenso amor à Liberdade que tentava conservar, para si e para os outros, a todo o custo! Ficarás para sempre nos nossos corações, Zezinha!
 
 
OS MEDOS
 
É a medo que escrevo. A medo penso,
A medo sofro e empreendo e calo.

A medo peso os termos quando falo.

A medo me renego, me convenço.


A medo amo. A medo me pertenço.
A medo repouso no intervalo
De outros medos. A medo é que resvalo
O corpo escrutador, inquieto, tenso.


A medo durmo. A medo acordo. A medo
Invento. A medo passo, a medo fico.
A medo meço o pobre, meço o rico.


A medo guardo confissão, segredo,
Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.
Que já me querem cego, surdo e mudo.


José Cutileiro, "Os medos" in Versos da mão esquerda, 1961

2 comentários:

  1. Só hoje acedi de novo ao blogue...
    Ficámos todos e todas em choque!
    A Zé era um exemplo de alegria e tolerância não deixando que nada afectasse a amizade que sentia pelas pessoas.


    Abraço

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  2. Voltei neste momento á blogosfera e deparei-me com este post. A Zé era uma pessoa pura como já há poucas. A sua maneira de ser de estar, deixarão saudades...
    Beijinho

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